Há dias assim. Perto do nada e longe do tudo. Há dias em que a existência se veste do invisível. O corpo anseia pela paragem dos sentidos e a alma pelo eterno descanso.
Há dias assim. Dias sufocados pela gélida presença da tua ausência. Grito no silêncio do quarto. Grito por ti num insano querer de me fazer chegar até ti. Não estás mais aqui. Pensei-te eterno. Não o foste. O tempo levou-te de mim.
Amar-te é, hoje, um verbo vazio de sentido. É a amarra do passado e a indubitável solidão do futuro...
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
há dias assim...
Silêncio de
Serena
à(s)
21.8.09
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Silêncios
quarta-feira, 13 de maio de 2009
existência artificial
Ainda sofria muito, é certo. Porém o seu sofrimento era outro: sentia por si uma grande compaixão, misturada de muita ternura; tinha uma pena, uma pena infinita de si mesma. Chorava por si, como se chorasse pela infelicidade doutra pessoa, duma pessoa muito querida. Instintivamente, recordava a sua infância, enternecia-se com ela; recordava a sua vida inteira, as suas alegrias, os seus dissabores, os amigos desaparecidos - e por tudo isso é que ela chorava.
O coração partia-se-lhe num confrangimento sem fim, mas no fundo esta dor consolava-a. Era o bálsamo suave que pouco a pouco, pouco a pouco, a curaria docemente. E esse choro nem mesmo a enfraquecia. Pelo contrário: revigorava-a. Há angústias que avigoram… A sua dor suavizada, era-lhe até proveitosa… Porém, uma existência artificial, talvez, a que sem dúvida não poderia resistir por muito tempo… e assim sucedeu, em breve terminou…
Silêncio de
Serena
à(s)
13.5.09
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Silêncios
sábado, 21 de março de 2009
medo de…
“E quando isso suceder?…” questionara-se, perdida… mais perdida ainda ficara no momento da consumação; criança fraca, que chorara, gritara e num grande desalento - no vácuo horrível duma vida desfeita – sucumbira, depois de ter resistido durante largos dias. O seu espírito enfraquecera pouco a pouco na antevisão da desgraça. Não resistira… teve medo, muito medo, medo de ficar sozinha… medo de…
Silêncio de
Serena
à(s)
21.3.09
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Silêncios
sexta-feira, 6 de março de 2009
sábado, 17 de janeiro de 2009
Correr... preciso correr...
Só me resta correr...
Silêncio de
Serena
à(s)
17.1.09
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Silêncios
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
gestos e palavras
O que seria de palavras sem os gestos para as reforçar ou o que seria dum gesto sem palavras para o definir e consolidar?
Já duvidei da palavra, chegando a crer que unicamente a palavra poderia ter duplo entendimento, mas à vida coube talvez o desprazer, talvez a sensatez de me ensinar que também os gestos são questionáveis.
Portanto, hoje, não dissocio a palavra do gesto, nem o gesto da palavra. Somente ambos e, em consonância, perfazem o tudo ou... o nada.
Silêncio de
Serena
à(s)
13.1.09
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Silêncios
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
- como a outra gente, afinal!
Para a doença física em que a vida se me tornou, só existe um remédio: o aniquilamento. No entanto, nunca terei a força de vontade necessária para absorver esse temível elixir. Os meus amigos podem estar perfeitamente descansados. Apesar de tudo, continuarei vivendo; apesar de nada me distrair, não deixarei de frequentar os teatros; apesar de não crer em coisa alguma, irei rabiscando, alinhando palavras, escrevendo silêncios, sempre mais e mais, na conquista vã duma quimera… Gritando sem cessar a minha desgraça, amaldiçoando a existência, irei gozando do que nela houver de bom - como a outra gente, afinal!
Silêncio de
Serena
à(s)
2.1.09
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Silêncios